O novo grafite / by clarissa morgenroth

Desde 2004, uma nova forma de arte urbana vem conquistando cidades da Europa e dos EUA. Tendo começado como uma maneira de personalizar e chamar a atenção para espaços urbanos subutilizados ou sem vida, o “Urban Knitting” se espalhou rapidamente. Um dos primeiros grupos a se organizar foi o "Knit the City" em Londres, por Lauren O'Farrell e hoje há vários grupos ao redor do mundo, cada um com sua agenda e estilo.

O "Urban Knitting", ou "Yarn Bombing" é quase sempre feito de crochê, embora às vezes também o tricô e outras técnicas sejam usadas. Embora seja bastante durável, é considerada uma arte temporária e, como o grafite, é ilegal na maior parte dos lugares onde já foi usada.

Assim como outras formas de brincar com a cidade, já mencionadas em outros "posts" aqui no Catraca, o "Urban Knitting" oferece uma outra maneira de olhar ou re-olhar para os espaços da cidade, seus símbolos e significados. Com a delicadeza de uma arte que tradicionalmente une o feminino, o familiar e aquilo que é extremamente particular e caseiro, o "Urban Knitting" evoca a maravilhosa dicotomia dos centros urbanos, onde o coletivo e o particular devem constantemente achar seu equilíbrio de coexistência.

Em Paris uma técnica parecida foi usada para "decorar" buracos e rachaduras em ruas e calçadas, chamando a atenção para essas falhas de uma maneira brincalhona e dando um colorido especial às ruas acinzentadas da cidade. Em lugares como Zaragoza e Barcelona, na Espanha, o "Urban Knitting" se tornou uma atividade comunitária que envolve mulheres, crianças e também alguns homens, seguindo a tradição dos círculos de bordados femininos, tão comuns em tantos países, ou dos grupos de “quilts” que foram tão vitais para a sobrevivência psicológica e financeira das mulheres negras do sul dos EUA durante os anos de depressão.