Importância dos espaços públicos de convívio / by clarissa morgenroth

(ou dos espaços onde A VIDA PBLICA se dá: entende-se aqui o que “espaço publico” engloba a rede de espaços de uso comum, ás vezes de natureza pública per se, como as praças municipais, assim como os locais privados como pátios de shopping centers, mercados, etc.)

Os espaços públicos funcionam como uma grande sala de estar ao livre.

1.       Importância social:

a.       Importância do ócio: necessidade humana de parar e se distanciar da rotina, como mecanismo de defesa contra a natureza repetitiva ou maçante da vida adulta

b.       Importância da brincadeira (humor): o humor no homem adulto é a capacidade de se entender errado sem se autodestruir e reconhecer-se errado com prazer é extremamente liberador.

Para as crianças, mais do que liberador, é na brincadeira que ela acha espaço para seu desenvolvimento psíquico e físico. Sem esse espaço, nossas crianças não se tornarão adultos totalmente saudáveis, fazendo uso de todos seus potenciais

c.       Importância do encontro/convívio: se as cidades foram criadas para a troca, é nos espaços públicos que se pode trocar e unir o que em outros momentos e lugares da cidade não poderia acontecer. A mescla de idades, crenças, raças e diversos níveis socioeconômicos acontece nas nossas ruas, mercados, praças e eventos públicos. Sem isso, nossa sociedade estagna no impasse da intolerância e do medo. É no espaço publico que se forma e se fortalece a identidade de uma vizinhança, e com ela a sensação de pertencimento.

d.       Importância do encontro fortuito: somente nos centros urbanos podemos ser conhecidos e anônimos. Essa é uma característica vital que permite o equilíbrio da nossa natureza social, onde o grupo e o individual tem de ser eternamente negociados. Contar a tragédia familiar ao açougueiro amigo, ou a um conhecido na praça significa expressar uma angústia sem a preocupação de um retorno crítico ou significativo.

 

2.       Importância econômica: espaços públicos de sucesso valorizam o entorno e tornam o mercado imobiliário mais atrativo. Praças, parques, calçadões também atraem serviços e empresas, atraindo o público e o comércio, numa sinergia de desenvolvimento socioeconômico saudável

 

3.       Importância na segurança: o uso do espaço aberto, público, diminui as distâncias entre os diferentes grupos de uma comunidade, vencendo barreiras de preconceito de maneira orgânica e as vezes inconsciente, portanto profunda e duradoura. A noção, por exemplo, de que os jovens tem intenções equivocadas  no uso da cidade e do espaço público, é na maioria das vezes um preconceito que se desfaz com facilidade se houver abertura e condições apropriadas para que usufruam desses espaços. Esse convívio diminui a sensação de insegurança, abrindo mais possibilidade de uso dos espaços, que por sua vez se tornam efetivamente mais seguros porque usados e queridos por grupos que o observam e deles cuidam

 

4.       Importância na qualidade ambiental e na saúde das cidades:

 

a.       Os espaços públicos tecem na cidade uma rede de fluxos que independem do carro e reforçam e precisam ser reforçados pelo uso do transporte público e de meios alternativos de transporte como a bicicleta

b.       Se plantados, tornam-se pulmões verdes contra as ilhas de calor urbano, oferecendo também permeabilidade para a drenagem. Em Curitiba, por exemplo, o sistema de parques nos fundos de vale funciona também como um poderoso e eficiente sistema de infraestrutura de drenagem, que dá conta das águas pluviais excedentes sem grandes transtornos ou grande obras de infra

c.       Oferecendo espaço para usos esportivos e atividades físicas, os espaços públicos também se tornam importante instrumento na prevenção de doenças e na manutenção de pessoas saudáveis, propiciando condições para o combate a tendências como a obesidade, que hoje ja se espalha pela população infantil.

 

Observações (ainda soltas):

1.       Bons espaços públicos são aqueles que conseguem ser flexíveis e acolhedores para os diferentes players de uma comunidade: uma praça de vizinhança pode receber os idosos pela manhã, crianças á tarde e jovens á noite. Vale lembrar que as pessoas é que formatam o espaço publico, mais do que os espaços formatam as pessoas.

2.       Alguns grupos são segregatórios, é bom pensar em mecanismos que evitem, por exemplo, a expulsão dos idosos e jovens. A percepção de que jovens tem intenções antissociais é em geral errônea. O bom espaço público tem natureza democrática e não dedicada

3.       O espaço público mais efetivo é local, da vizinhança; é ali que a identidade de um grupo se afirma, onde o reconhecimento de um bairro se forma. Eles são, por excelência, os “espaços de cola” dos diferentes personagens e grupos de uma comunidade

4.       Ênfase do governo nos quesitos de segurança podem distorcer o entendimento e uso que cada comunidade dá a seu espaço. Vale lembrar que o espaço usado é o mais seguro e há um equilíbrio delicado entre aquilo que e percebido como ameaçador em certas comunidades e a saúde de convívio da mesma